Uma História de Racismo

Não sou adepto de futebol, nem tenho especiais simpatias por qualquer equipa, mas o que vou relatar a seguir, pôs-me a reflectir. O jogador Abel Camará, de nacionalidade guineense, sai do seu clube o Belenenses, por motivos de racismo…nomeadamente de alguns adeptos. O jogador confessa-se triste por tomar esta decisão, mas não tem alternativa…a não ser, ser achincalhado.

No tempo do regime anterior, dizia-se que Portugal era um país de brandos costumes, por outro lado, recordo-me de há muitos anos atrás, numa cidade alentejana, mais exactamente numa fábrica de mármore, o espanto dos trabalhadores, ao ver um visitante de raça negra…estrangeiro e pessoa importante, o comentário que saia das suas bocas era: “um preto”…como se fosse um extra-terrestre.

Este era o Portugal de Salazar e Caetano, e a sua herança, anos depois. As coisas evoluíram rapidamente, do pasmo de quem nunca viu um preto, para o racismo de alguns, que do fascínio passaram ao ódio, a quem é diferente.

Sabemos, que as claques de futebol, em muitos casos estão infiltradas por grupos de extrema direita…incluindo o Belenenses, mas não só. Sabemos que a mistura entre paixão clubista e preconceito racial é explosiva e produz reacções perigosas, mesmo violentas. Essas reacções não têm nada de desportivo, nem dignificam os clubes de futebol.

Para Abel Macará, significa o abandono do Belenenses, ao fim de dez anos no clube e ironicamente, depois deste vencer o Sporting por 3-1…se é assim que se festeja uma vitória…como seria se o Belenenses fosse derrotado?

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