Ser Jornalista

No dia em que os fogos lavravam no norte do Tejo, uma noticia passou despercebida, a jornalista Daphne Caruana, de Malta, famosa por divulgar os Panamá Papers, foi assassinada. A jornalista tinha um longo historial, como divulgadora de casos de corrupção e demonstra bem, como é perigoso ser jornalista. Num mundo onde abunda o embuste e a corrupção, é perigoso ser paladino da verdade, os jornalistas são constantemente pressionados a se tornarem instrumentos do poder e das clientelas políticas…é muito difícil ser-se objectivo e pugnar pela isenção. No entanto ainda há jornalistas, que levam a sério a profissão e não se deixam instrumentalizar. No que diz respeito à jornalista Daphne Caruana Galizia, considero uma perda para a nobre arte de informar e desejo que ela descanse em paz.

Advertisements

O Estado do Mundo

Li hoje num jornal português, que citou a NBC-CNN, dizendo, que Trump numa reunião em Julho, declarou que pretende aumentar dez vezes…o poder nuclear dos Estados Unidos. Condena-se a Coreia do Norte, mas pelos vistos, ninguém consegue travar, o ímpeto belicista do presidente Trump, se Pyongyang pretende pretende tornar-se uma potencia nuclear, isso é o diabo, mas se Washington pretende aumentar o seu poder nuclear…isso é prevenção ou dissuasão, como lhe quiserem chamar. E no entanto, o mundo, está cada vez mais inseguro, mais perto do conflito generalizado. Como é que o mundo fica mais seguro, se uma potencia regional, como a Coreia do Norte, se torna possuidora de armas nucleares, logo a seguir os Estados Unidos, multiplicam…ad eternum…o seu? A acumulação de armas, só traz mais guerras e uma insegurança cada vez maior…não traz mais paz. Trump bem pode dizer, que se trata de fake news, mas que ele é belicoso, é um facto…e uma coisa é certa, não estamos mais perto da paz. É evidente, que eu como cristão, acredito no reino dos céus e espero-o…mas por enquanto vivo neste mundo, e preocupo-me com ele.

Catalunha Independente

No passado dia 1 de Outubro, a Catalunha foi a votos, para decidir a independência da região, em referendo. A reacção do governo central de Madrid, não se fez esperar…mandaram a policia de choque e a repressão foi violenta, cerca de 900 feridos. Não sou espanhol e não tenho ideias formadas, acerca da independência da Catalunha, mas há alguns aspectos que convêm realçar. Primeiro aspecto, o estado espanhol reagiu da pior maneira possível, inclusive a reacção do rei Filipe VI, foi um balde de agua gelada para Puidgemont, culpou inteiramente os independentistas e nem uma palavra para a reacção violenta do governo central, ora, convêm lembrar, a forma pacifica como os catalães se portaram, mesmo quando provocados. Segundo aspecto, este movimento independentista, remete-nos para a herança franquista…não só Rajoy é presidente do PP espanhol, herdeiro de Franco, como os catalães defendem a Republica como forma de governo. E agora, quando a generalitat da Catalunha, proclamar a independência, virão os tanques de Madrid, esmagar o povo? Deixem-me dizer-lhes, mesmo que eu não tenha uma ideia formada, acerca da independência catalã, considero, que à luz da autodeterminação dos povos, é possível legitimar a Republica Catalã…afinal de contas a Catalunha tem uma língua própria, parlamento próprio e policia própria…aguardemos o desenvolvimento dos acontecimentos, neste momento, é impossível adivinhar o desfecho.

A Sombra do Nazismo

Uma sombra paira sobre a Alemanha em 2017, penso que todos adivinham do que estou a falar…sim, a chegada ao parlamento alemão do pós guerra, de cerca de 80 deputados da AfD…o movimento de extrema direita alemã. A AfD obtém cerca de 13% e faz-nos lembrar, a ascensão de Hitler ao poder…ele também chegou ao parlamento via eleitoral e todos sabemos no que deu. O rastilho que deu este resultado, foi a chegada à Alemanha, de cerca de um milhão de refugiados, apadrinhados pela CDU de Merkel…e bem conheço as teorias, de que isso se deve, aos “moinas” refugiados que sugam os apoios do Estado sem trabalhar…isso tem sido desculpa para o Brexit no Reino Unido, acerca dos imigrantes e para a chegada de Trump, ao poder nos EUA. Normalmente os elos mais fracos na cadeia, é que pagam, e os imigrantes e refugiados…são as vitimas perfeitas, para o ódio e a intolerância dos demais…em tempos em que a crise terrorista é um flagelo, são as vitimas perfeitas, ainda mais, quando alguns infiltrados do Daesh, cometem atentados.

Pois é neste quadro, que a chegada ao parlamento dos neo-nazis, se dá. Relativizar sobre este facto, é perigoso e irrealista, eles são um perigo para a democracia e para o equilíbrio da Europa e não auguram nada de bom. Chamem-me o que quiserem, esquerdista, ingénuo…prefiro obedecer à minha consciência e não pactuar com o ódio, a xenofobia e o preconceito…isto foi na Alemanha, mas podia ser no meu país, e não estamos livres disso, basta ver o conteúdo dos comentários nas redes sociais, quando se trata de refugiados e imigrantes…quando acontecer, não digam que não avisei.

A NATO e as Armas Nucleares

Li hoje no Diário de Noticias, que a NATO, lamenta  a adopção do tratado da ONU, que proíbe armas nucleares. Bem sei que os tratados, são frequentemente violados, ainda mais tratados dessa natureza…mas não deixo de reparar, que, esta noticia, surge precisamente no momento da actual crise…com a Coreia do Norte. Isto quer dizer, que a NATO, e os Estados Unidos em particular, estão frenéticos e ansiosos, para atacar a Coreia do Norte. Não estou aqui dizendo, que Pyongyang, está a agir bem e as suas pretensões são legitimas…mas este frenesim da NATO e dos Estados Unidos, não serve a paz e um ataque nuclear, é a ultima coisa que o mundo precisa. Muitas vezes, os interesses dos blocos militares, não são os interesses dos povos e podemos dizer, que, nunca estivemos tão perto de um conflito nuclear, como agora. Urge pôr fim a este clima de tensão generalizada, e armar ainda mais os paióis nucleares, não o vai fazer de certeza…por favor entendam-se e sejam contidos nas palavras, pois ao mínimo fosforo, o tanque de gasolina, pode incendiar-se.

Greve ou não Greve…eis a Questão

Uma das noticias, pelas quais tenho passado os olhos, é a greve dos enfermeiros. Quando se fala de greves, existem pelo menos, dois tipos de pessoas, as que são contra e as que são a favor. As pessoas que são contra, evocam todo o tipo de contratempos, os serviços que se atrasam ou se tornam inoperantes, a economia do país que sofre graves retrocessos, e outros argumentos parecidos…até culminar naquele que é clássico, o pessoal são todos uns mandriões. Por outro lado, aquelas pessoas que são a favor, evocam os baixos salários ou remuneração insuficiente, as condições de trabalho, o desgaste do trabalhador, a chantagem patronal…os argumentos são inúmeros. No meio de tudo isto não é fácil destrinçar quem tem razão e torna-se tudo uma guerra de palavras…como podemos chegar a uma conclusão?

Há uma coisa que é ponto assente, não existem greves sem problemas, mas isso não quer dizer que os detractores da greve, tenham razão, ou pelo menos, toda a razão, basta examinar as condições de trabalho, que existiam no princípio do século XX e ver, que não teriam evoluído, sem a justa luta dos trabalhadores sindicalizados. Por outro lado, o século XXI, tem sido palco de retrocessos, no campo laboral, em que direitos que se julgavam, justamente adquiridos, se têm perdido. No entanto, justamente por causa disso, os sindicatos têm-se tornado corporações, manipuladas pelos diferentes agentes políticos…e aqui não faço distinção entre esquerda e direita…agentes esses, que usam o poder dos sindicatos…justamente, para chegar ao poder. Não sou ingénuo, ao ponto, de exigir, que esses agentes, sejam totalmente independentes do poder sindical, mas há um certo grau, em que isso se torna ingerência.

Assim sendo, há casos, em que a pressão sindical é justa nos seus objectivos, e os meios empregues defensáveis…e apesar dos problemas ocasionais, causados, perfeitamente legítima. Mas existem outros casos, em que a luta laboral, é um mero pretexto para atingir outros fins, que não aqueles que são ditos…neste caso, a greve, não é legítima, e é mesmo, estar a usar trabalhadores, como meros peões num jogo de xadrez.

Voltemos ao caso, que motiva todo este texto, a greve dos enfermeiros…na minha maneira de ver as coisas, eles têm alguma razão, mas não sei, até que ponto uma greve de cinco dias é legítima, eu sei que não existem greves sem problemas, porém cinco dias, parece-me, um exagero. Há muito que estou afastado do mundo do trabalho, e não estou totalmente por dentro, das lutas sindicais…mas esta é a minha modesta opinião. Acima de tudo, que haja bom senso e equilíbrio, neste e noutros casos.

O Apelo de Barack Obama

Li hoje, que Barack Obama, na véspera da tomada de posse de Donald Trump, deixou-lhe uma carta na Casa Branca, a pedir a Trump, que respeite a liberdade e democracia, desejando-lhe boa sorte. Este gesto não é inédito, já Bush filho, deixara uma carta semelhante a Barack Obama, mas revela muito, de quem era Obama. Sem ser perfeito, o ex-presidente dos EUA, foi um dos melhores titulares do cargo, para além de ser o primeiro presidente negro na história da América, foi alguém, que entre outras coisas, procurou implementar um SNS na América, fez um acordo com o Irão, que, sob certa óptica pode ser criticável, mas revelou a vontade de criar pontes, de Obama. Também foi sob sua presidência, que os Estados Unidos assinaram o acordo de Paris, sobre as alterações climáticas. Ora, que fez Trump? Rasgou o acordo sobre as alterações climáticas, desfez o acordo com o Irão, numa lógica de confrontação, e revogou o Serviço Nacional de Saúde, que o presidente Obama implementou. Não contente com isso, entrou numa lógica de confrontação com a Coreia do Norte, bombardeou a Síria e tem dividido a América em dois. Também, a vaga de demissões, no staff de Trump não tem parado e há suspeitas, mais que certas, da ingerência russa, na vitória de Trump. Este presidente, é a antítese de Obama e o mundo, sob Trump, está à beira de uma guerra nuclear. Bem sei que a Coreia do Norte, está cada vez mais provocadora…mas o espírito belicoso deste presidente não tem ajudado nada. Bem podemos dizer…que Deus nos ajude e ponha a sua mão, sob este mundo, que está um barril de pólvora…Trump diz-se cristão, ao contrário de Obama que nunca disse que o era, mas o ex-presidente estava, de longe, mais perto das virtudes evangélicas, que Donald Trump.

A Negação da Realidade

Quando ouço, o presidente Trump, negar as alterações climáticas e assisto às imagens dos furacões…penso, ou Trump é mentalmente desequilibrado ou desonesto. Desta vez é o Harvey, que atingiu o Texas, só desde sábado cerca de 2500 chamadas de emergência foram feitas, e sabe-se seguramente, que há 2 mortos registados. Dizer que isto é uma situação normal, caberia na nossa cabeça, se não tivessem já ocorrido situações semelhantes. A natureza está revoltada e em ebulição…em Portugal é a seca extrema e no Texas, a chuva intensa. Há uns anos atrás, um amigo meu, dizia-me: “Os patos bravos do Texas, continuam a poluir e a dizer, que Deus os protegerá”. À parte a referência aos texanos, como patos bravos, e a óbvia incredulidade, do meu amigo, em relação a Deus, que eu não apoio nem partilho…o meu amigo acertou em cheio, grande parte dos americanos aceitou as teses de Trump, sobre as alterações climáticas e continuaram a poluir indiscriminadamente…o que vem aí é verdadeiramente assustador e fora do nosso controle, as grandes potências, continuam a usar o petróleo como principal fonte energética…as consequências são o que está à vista.

O que nos espera no futuro? Não posso responder a essa pergunta com precisão, mas uma coisa posso garantir…a fúria da natureza não ficará por aqui…estamos a estragar o clima e o planeta que Deus nos deu…vamos pagar caro por isso.

Cat Stevens e Yusuf Islam

Steven Demetre Georgiu…vocês provavelmente não sabem quem é este senhor, mas se vos falar de Cat Stevens, já saberão de quem estou a falar, pois bem, Steven Demetre Georgiu é o nome de nascimento de Cat Stevens…mas para aumentar a confusão de muitos, ele chama-se agora Yusuf Islam e desde 1978, abandonou o cenário artístico e converteu-se ao Islamismo. Neste momento é o fundador de diversas escolas religiosas e instituições filantrópicas e educacionais. Fundou três escolas muçulmanas em Londres e é também fundador da Small Kindness, organização reconhecida pela ONU, que presta ajuda às crianças órfãs da Bosnia, Kosovo e Iraque. Em 2004, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, impediu a sua entrada em território americano, por supostas ligações à actividade terrorista…digamos, em boa verdade, que esta acusação infundada, se deve mais ao preconceito anti-muçulmano, que outra coisa, mas estes são os factos.

Mas foi como Cat Stevens, que ele se tornou conhecido, canções como Father and Son e Peace Train, são conhecidas, para alem de outras, como Wild World e Morning Has Broken. As suas canções são geralmente intimistas e revelam um artista sensível e preocupado, um amigo meu, disse-me uma vez, que ele é um homem perigoso…muito provavelmente pelas razões enunciadas acima. Existe pois, uma linha condutora, entre Cat Stevens e Yusuf Islam…a sua sensibilidade para com os outros e os seus problemas. Cat Stevens é o paradigma, do homem inquieto e artista sensível, que perante o vazio do mundo do Show Business, encontrou refugio na religião…ele inclusive procurou, conforto no Budismo, durante uma fase da sua carreira, o que denuncia a sua luta interior.

Claro, que eu tinha preferido, que ele se tivesse convertido a Cristo…mas aparentemente, ele só conseguiu vislumbrar, uma Cristandade vazia…o que é completamente diferente do verdadeiro Cristianismo. Assim nasceu Yusuf Islam e apesar de um aparente retorno aos palcos da Pop Music…é como homem religioso, que se dá esse retorno e não mais como Cat Stevens. Se eu o encontrasse pessoalmente, muito possivelmente, iria falar-lhe de Jesus Cristo o Salvador…um Cristo, muito diferente, do que ele conheceu na Cristandade…isto sou eu a pensar, e a tentar entrar no homem, que se tornou Yusuf Islam, mas quem pode conhecer os motivos do homem, senão o próprio homem e Deus?

Um Astro Eclipsa-se

Neste domingo passado, fiquei um pouco mais triste, pois, um dos astros do cinema, eclipsou-se…estou-me referindo ao actor Jerry Lewis, que nos anos 50 e 60, se popularizou na comédia. Jerry Lewis apagou-se, mas para trás fica um actor, que marcou o cinema com C Maiúsculo e que muito depois, nos anos 70, eu pude ver alguns dos seus filmes, já que nos 60 eu era uma criança de tenra idade…na retina fica o seu trejeito trapalhão e o seu talento como comediante. Em conversa com um amigo, por estes dias, ao comentar a sua morte, ele disse-me: “Estava muito velho”, nos anos subsequentes Jerry Lewis foi sendo esquecido, ainda assim, deixa uma legião de admiradores, principalmente entre os “maluquinhos”, no bom sentido…”malucos” como eu, que guardam reverentemente, as memórias do cinema e ainda se lembram, de como se fazia um actor…tempos bem diferentes destes, em que vivemos, em que o efémero e as “fitas” substituíram os grandes filmes, poucos filmes, me interessam actualmente, e as estrelas fabricadas em série, pouco me dizem…enfim Jerry Lewis apaga-se aos 91 anos, que descanse em paz.